Stephen Hawking acha que a humanidade vai durar apenas mais mil anos na Terra e que nossa espécie precisa colonizar outros planetas.

O famoso físico fez a declaração em um discurso na Oxford University Union, na qual promoveu o objetivo de procurar e colonizar exoplanetas terrestres. Desenvolver a tecnologia pra permitir que os seres humanos viajem e vivam em mundos alienígenas distantes é – no mínimo – um desafio. Mas Hawking está certo de que a humanidade tem apenas mil anos de prazo pra tal conquista?

Os perigos que Hawking citou – mudanças climáticas, armas nucleares e vírus geneticamente modificados – poderiam de fato representar ameaças existenciais à nossa espécie, dizem os especialistas, mas prever um milênio no futuro é um tanto turvo.

“Apesar de eu respeitar enormemente Stephen Hawking, especular sobre o tempo que o Homo sapiens vai sobreviver antes da extinção é tolice”, disse John Sterman, diretor da MIT Sloan Sustainability Initiative. “Se vamos sobreviver e prosperar ou cair no caos não é algo a se prever ou estabelecer chances, mas uma escolha a ser feita.”

Vida sustentável?

fim do mundo

Se as mudanças climáticas continuarem em ritmo acelerado, isso provavelmente levará a um grande atrito pra espécie humana.

“Pode haver quantidades incríveis de alimentos e fontes hídricas em algumas regiões, o que combinado com o aumento do nível do mar levará a um grande número de refugiados ambientais – o suficiente pra fazer a diáspora síria parecer humilde”, disse Shawn Marshall, um professor de geografia e pesquisador da mudança do clima na University of Calgary, Canadá.

A humanidade está sobrevivendo apenas por esgotar os recursos naturais do planeta e envenenar seu ambiente, Sterman disse à Live Science. A Global Footprint Network – sem fins lucrativos – estima que a humanidade consome os recursos de “uma Terra e meia” por ano, essencialmente extrapolando da conta bancária natural do planeta. Os problemas da sustentabilidade não podem esperar mil anos, disse Sterman. “Se podemos impedir os danos da mudança climática e aprender a viver dentro dos limites de nosso mundo finito, isso será determinado provavelmente neste século.”

Emmanuel Vincent, pesquisador da University of California, Merced e fundador da organização de divulgação Climate Feedback, ecoou o chamado pra tomar decisões sustentáveis agora.

“É importante lembrar [as pessoas]que não se pode prever se um evento catastrófico vai acabar com os seres humanos nos próximos mil anos”, disse Vincent à Live Science. “O que Hawking está fazendo aqui é especular sobre o risco de que isso aconteça e ele estima que a probabilidade de extinção é alta. Embora concorde que isso é possível, eu gostaria de enfatizar que isso depende principalmente de como nós conseguiremos evitar um resultado tão catastrófico como sociedade”.

A extinção humana

planeta dos macacos

Isso não significa que os seres humanos serão necessariamente extintos se fizermos escolhas ruins. O planeta está atualmente 1 grau Celsius mais quentes do que médias pré-industriais, disse Marshall.

Em comparação, as temperaturas durante os períodos Jurássico e Cretáceo eram cerca de 10 graus C mais quentes do que as médias pré-industriais, ou cerca de 25 graus C em comparação com os atuais 16 graus C, disse Marshall. No entanto, a vida era bastante abundante naquela época. “Seria um mundo habitável, mas um pouco diferente”, disse ele. “Nós ficaremos sem combustível fóssil antes de evaporarmos os oceanos.”

Portanto, os seres humanos provavelmente não conseguem realmente transformar a Terra num forno de gases de efeito estufa, embora áreas tropicais podem se tornar muito quentes pra habitação, disse Vincent. A verdadeira questão é saber se os seres humanos seriam capazes de lidar com a agitação que as mudanças climáticas trariam à medida que as linhas costeiras desaparecerem, as doenças se espalharem e os padrões climáticos mudarem.

“Por si só, eu não vejo como a mudança climática levaria à extinção humana”, disse Marshall. “Teria que ser através da agitação social que desencadearia uma guerra nuclear ou alguma outra implosão social como resultado da degradação ambiental”.

Já existem sinais de alerta além das temperaturas. Cerca de metade da vida selvagem global foi varrida nos últimos 50 anos, disse Vincent. A situação é grave o suficiente pra que muitos cientistas acreditam que o planeta está no meio de sua sexta extinção em massa.

“Qualquer um que pensa que nós podemos resolver estes problemas colonizando outros mundos tem assistido Star Trek demais” disse Sterman. “Temos de aprender a viver de forma sustentável aqui, no único planeta que temos e não há tempo a perder.”


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Fonte: Acredite ou Não

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